A REDE DO FAQUIR
Sou da terra da lavoura Da mamona e do sisal Onde se trabalha muito E se ganha muito mal Onde lajedo não faz cuscuz Em cacimba não dá mel Lambe-se sangue de punhal Na garganta de coronel Filho de Ailton Britto Do ventre da pró Isabel Em Jacobina, um proscrito Carrancista de tutano Dos que espreme doce do fel Quando quero dormir Armo minha rede de faquir Eita sertão subestimado Nas correntezas do medo Não se esconde o segredo Deve ser modificado! Culpa de quem silencia Se treme tode de medo Vive que nem gado, marcado Na coleira da oligarquia. Vem do tempo da Sesmaria Catequese, Ave Maria Captura, escravidão A história faz a poesia Glosa sua indignação Vem do Mucambo do Coqueiro Esse meu canto primeiro Ensinamentos ancestrais Quem bateu quer esquecer Quem apanhou, isso não faz. Bota coco, põe repente Continuo no batente Não me calarei jamais