ABOIO RETIRANTE
CHAPÉU DE COURO, JALECO, Ê BOI
Sobras e lembranças
Fuga da seca, pedir esmolas
Correr da cerca, mendigar
Perversa cidade grande
Dormindo no relento, marquises
Frio, sujeira, crueldade e solidão
CHAPÉU DE COURO, JALECO, Ê BOI
Os restos das sobras dos lixos
Como arame farpados rasgam a garganta
E cortam o coração — insosso
CHAPÉU DE COURO, JALECO, Ê BOI
Tardes, noites e manhãs perambulantes
Todo dia, súplicas humilhantes
CHAPÉU DE COURO, JALECO, Ê BOI
O sertão é só saudades
Do que se teve e se perdeu
Olhando pra trás
Só se enxerga o abandono
E pra frente:
— ê cegueira com tanta incerteza!
CHAPÉU DE COURO, JALECO, Ê BOI
E o que resta, boi
Chapéu de couro, jaleco
Quem me dera, ê boi
A esperança
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