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INDICATIVA

Caso tu não retornes Coração baterá fora dos conformes Volte! E outra vez não tornes Fora, de por mim, não dormes  Par comigo sempre formes  Conectados feito bornes Quero sempre o que queres Sei que errei, peço que ponderes  Venha! Assim que puderes Minhas forças à ti, tão entregues Esperando, logo, que regresses  Que não haja mais reveses

A REDE DO FAQUIR

Sou da terra da lavoura  Da mamona e do sisal  Onde se trabalha muito  E se ganha muito mal Onde lajedo não faz cuscuz Em cacimba não dá mel Lambe-se sangue de punhal Na garganta de coronel  Filho de Ailton Britto   Do ventre da pró Isabel  Em Jacobina, um  proscrito Carrancista de tutano  Dos que espreme doce do fel Quando quero dormir Armo minha rede de faquir  Eita sertão subestimado  Nas correntezas do medo Não se esconde o segredo Deve ser modificado! Culpa de quem silencia  Se treme tode de medo  Vive que nem gado, marcado Na coleira da oligarquia. Vem do tempo da Sesmaria Catequese, Ave Maria  Captura,  escravidão  A história faz a poesia  Glosa sua indignação  Vem do Mucambo do Coqueiro  Esse meu canto primeiro  Ensinamentos ancestrais Quem bateu quer esquecer  Quem apanhou, isso não faz. Bota coco, põe repente  Continuo no batente  Não me calarei jamais

INSISTÊNCIA

Acho que tem valido Insistir no meu cantar Em tudo que tenho vivido Para não me entregar Ê, Ê Somente viveno a vida É que se pode aprender Ê, Ê Saudade bate no peito Procuro saber de você A luta é a necessidade Que se passa pra viver Ê, Ê As amarras que nos prendem Te chamo pra nós romper A felicidade é a porta oculta Entremos pra remexer Ê, Ê Pode-se cantar e dizer: Ê, Ê  

DOS TEMPO DA COISA BOA

  Hoje, andando a toa Duas coisa eu me alembro   Dos tempo da coisa boa Uma, o canto que o vaqueiro entoa E outra, tomar banho de lagoa Otas coisa que me alembro Feijão com toicinho dento As férias de dezembro O galope no jumento Coisas antigas do fundo do baú Que é nossa lembrança Apito de chamá nambu   Brincadeiras do meu tempo de criança Banho de rio, já se viu Nem é bom falar

PAPO DE REPENTISTAS

Cara amiga cantadora Que verseja as coisas da vida Cumprimente essa gente Canta a tua poesia Faz pra nois o repente Será que algum dia Apesá da dô que se sente A gente vai tê aligria? Obrigada pelas palavra Que o amigo dizia Cheguei nesse instante E já estou em agunia Nessa cidade gigante Onde tudo me angustia Mais apesá da dô que se sente A gente vai tê aligria   Se aligria tu acha Que um dia vai chega Se alguma luz tu vê Cego hei de está Se a agonia pra te tê Basta tu aqui chegá Tá difícil de acontece O dia de se alegrá Sei sê muito difícil   A aligria chegá Quanto mais plenamente Mais lhe garanto que há Uma que quem sente É capaz de se alegrá Num me sinto impotente Sô capaz de amar

ISTRADA DO DESTINO

  Ele sempre acordava dizeno: “– vô imbora pra São Paulo!” Poucos lhe davam importância O desemprego A seca na roça E a falta de perspectivas lhe atormentava o sono Até que chegou o dia Choro da mãe e do pai Soluções da vó e da tia “— Adeus, minha terra, Adeus meus amigos Até quem sabe, oto dia. Se num fosse no último caso Agaranto que num partia” Foi-se embora pra São Paulo Pegou um pau-de-arara E até hoje num voltô

DOIS NA EMBOLADA

— Oi, esse coco — Que coco tem? — De imbolada — Imbola quem? — Eu e a nega — Isso num chega? —Tá pouco ainda — Quero imbolá — Seja benvinda  — Cadê o coco? — Na imbolada — Pra embalá — Eu e você — Só quero é vê — Tu me dizê — Pra onde vai? — O entra e sai — Desse chamego — É que teu nego — Num toma jeito? — Tá c’um vontade — E a liberdade? — Se faz agora — A gente tora — Essa corrente — Q’ainda prende —Nosso pescoço — Lá vem o coco — Deixa imbolá —Vamos pra cama — Se embalá — Diz que me ama — Sou de amar