O GATO DO MATO
Era de meia
Nem eram todas minhas
O maior dos desacatos
Veio o gato-do-mato
E acabou o criatório de galinhas
As galinhas punham ovos, davam carne; era um
negócio
Cumpadi Surubim
Lembrou de mim
Chamou pra seu sócio
Criar a de meia
Milho na roça, a leira cheia
Hortaliças e leguminosas
Tano sobrano, tem as penosas !
Tirano lucro, o que render
Vai apurado
Na porta do lápis contado
Depois de vender
Dever e haver
O que fosse o lucrado
Seria dele e meu
Mas o desiderato,
Veio o gato
E a criação comeu
Pra cabá de interá
O desgraçado do gambá
Até os ovos bebeu
Me deixou zureta
Enquanto praguejava
Um monte de palavrão soltava
Prometia a mim mesmo que o desgraçado me pagava
Que não duvidassem de mim
Pego o gato no cacete
Espicho o couro no tamburete
Vai virar um tamborim
E se o gamba aparecer
Também vai dar ruim
Ele que trate do caminho desse poleiro esquecer
Também vai ser espichado
Com chuliadeira pregado
Vai virar um pandeirão
Melhor comer escorpião
Se pra cá ele descamba
Vai repicar batuque no samba
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